Blog: o que significa isso?

A prensa de Gutemberg
Esta é uma pergunta que venho me fazendo há meses. Há alguns anos assisti a um debate caloroso sobre a inexistência de imposição editorial na blogosfera. Alguns dizem que esse é o grande trunfo da internet: conteúdo e informação livre da “mão” das grandes corporações. Outros, por sua vez, dizem que a falta de algum controle no que se produz na blogosfera dissipa a credibilidade necessária para que haja a real troca de conhecimento.
Eu, não poderia de deixar expressar a minha opinião: sou dos do primeiro grupo (o nome desse blog diz por si mesmo). Na verdade, acho que essa discussão tem sentido sim, e que precisa ser muito bem trabalhada para que haja algum tipo de conclusão mais embasada. Mas, enquanto os acadêmicos discutem, eu pergunto: nós blogueiros, entendemos o real sentido ou significado de um blog, de blogar?
Vamos voltar um pouco na história e pensar na era de Gutemberg. Pouquíssimos tinham um prensa, e naquela época a revolução que a impressão de tipos trouxe, praticamente criou a comunicação de massa.
Desde então, aqueles que têm a “prensa”, é quem ditam o que pode ou não ser escrito. Sociedades inteiras, gerações inteiras passam a ser moldadas por esses “senhores da imprensa”. De repente surge um mecanismo que diminui a distância entre as pessoas e multiplica por milhões as fontes de informação. É até natural que isso gere um “colapso sócio-cultural”, pois foram séculos daquela forma e em apenas 30 anos o computador, e aproximadamente 20, a INTERNET.
A questão é que a nossa geração já nasceu nadando na tecnologia. Não fazemos idéia da importância que as mudanças de hábito e comportamento baseado nos avanços tecnológicos.
Vou logo entrar no assunto, pra não acharem que estou enrolando. Sinceramente me frustra muito navegar pela blogosfera e ver que alguns dos blogs mais visitados simplesmente são de “besteiras”. Quando digo “besteiras”, falo que coisas inúteis, deboches, críticas desnecessárias e/ou textos sem sentido algum. Que me perdoem aqueles que vivem de seus blogs com conteúdo desse tipo, nada pessoal, mas vamos pensar um pouco: as pessoas cansam de criticar os canais e programas de tv por colocarem sexo, nudez, ou outras coisas impróprias, tudo pela audiência. No blog do Nagueva ele fala de objetivos. Se o blog atingiu os objetivos do seu proprietário, isso é o que importa. Eu concordo. O que questiono é exatamente esse objetivo, que acredito que precisam ser revistos.
No Blog3 há o post sobre o Calacanis, um dos fundadores dos “weblogs” que disse estar se retirando da blogosfera, pois esta se modificou muito e hoje é muito mais difícil se manter no topo. Acho que é exatamente por isso que deveríamos nos manter ativos, para que esse “inchaço” não anule a força da blogosfera, e sim para que possamos ajudar a orientar positivamente esse novo mundo que se abre.
Sugiro uma reflexão sobre o que estamos fazendo com a ferramenta que temos na mão. Estamos simplesmente reproduzindo um comportamento que vem de anos e anos… Temos pela primeira vez na história da comunicação de massa a possibilidade de produzir algo que realmente ajude a sociedade a se melhorar, a se modificar. Ao invés disso, estamos anulando o poder dessa ferramenta, e ajudando as grandes corporações a se manterem no controle.
Até a próxima

Show de bola texto.
Acho que os blogueiros precisam tomar uma certa consciência do que escrevem ao invés de buscar simplesmente um pagerank alto. Para que servem tantos blogs de “humor” (tipo comédia pastelão)?
Daqui há alguns anos, esses blogs serão os novos “Zorra Total” e farão sucesso apenas para os que não refletem muito sobre o porquê das coisas.
Eu acredito que deveria ter uma mudança de nomenclatura entre blogs “inúteis” e blogs de substância. Não acho errado que existam blogs vazios, pois esta é uma necessidade da maioria dos seres humanos: ter algo simples e engraçado, para que não precise pensar muito. O único problema dos blogs de substância é que as pessoas sem capacidade crítica, ficam à mercê de informações nem sempre precisas que estes meios de comunicação provêm. Pelo menos, temos mais chances de obter informações e processá-las em nossa cabeça para obter uma conclusão mais realista e menos influenciada, do que se só existisse a Rede Globo na nossa vida.
Acho que as pessoas desconhecem o verdadeiro sentido da palavra função. E do que deveria ser prioridade no mundo que vivemos. Mas isso é resultado do nosso sistema “sócio-comercial-educacional” que nos ilude com a necessidade de criação de funções desnecessárias e estabelecimento de identidades próprias superficiais. Então temos que desenvolver a habilidade de filtrar rapidamente aquilo q nos interessa nesse vasto mundo de informação já que não podemos ter um dia de 30 horas. Mas acho que o mundo ainda está se acostumando com a Internet. Por incrível que pareça ela ainda é uma novidade para muitos e com o tempo ela será usada com mais sabedoria. Assim como o ar que respiramos que não é escasso e sim abundante, e q portanto não pagamos por ele, o “espaço disponível” na internet também é abundante, convidando a todos entrarem de uma vez.